A imagem mostra o jogo de tabuleiro RPG Quest, um RPG para crianças. Há um tabuleiro quadrado com peças de papel dobradas, representando personagens e monstros. No canto inferior direito, há dois dados brancos de seis lados. O cenário do tabuleiro é uma masmorra com quadrados azuis e azulejos cinzentos, e algumas partes mostram teias de aranha e tesouros.

Você sabe o que é RPG? São jogos de criação de histórias, onde há um narrador e jogador(es) e ambos criam as histórias juntos, o narrador controlando as regras e apresentando personagens, cenários e situações, e o(s) jogador(es) interpretando os personagens que criaram.

Eu e o Miguel jogamos RPG de mesa há um tempo já. Embora em intervalos espaçados demais para o meu gosto, é sempre muito divertido e prazeroso, cada vez ele se mostra mais solto e dentro da história e por isso gostaria de compartilhar algumas dicas com quem pretende iniciar os seus pequenos nessa mistura de teatro, matemática e games:

1. Não se prenda a um sistema de regras

Até em RPG para adultos essa regra vem escrita: se a regra atrapalha o jogo, faça do seu jeito. O legal em mestrar para crianças é fazê-las usarem a imaginação para se divertir e pensar em planos para vencer. Não é preciso rolar dados para todas as ações, se der uma história boa, pode valer a pena dar uma colher de chá 😉 aqui jogamos usando o sistema do RPG Quest, que foi feito para crianças, mas há outros bem simples também, como o 3D&T (versão digital gratuita), Calisto (cujo manual de regras são apenas 4 páginas, versão digital e gratuita) e para quem manja de inglês, há o Hero Kids.

2. Crie um personagem para ser o mentor ou amigo da criança

Aventuras solo podem ser divertidas para quem já manja como jogar, mas para uma criança que está aprendendo, é sempre melhor ter um companheiro ou um grupo para dar suporte a ela, sugerindo ações, fazendo alívio cômico ou coisa do tipo.

 

3. Antes de mostrar, descreva o que ele vê

Os jogos de RPG para criança costumam ter ilustrações de monstros e personagens, muitas vezes até miniaturas. Mas não estrague a surpresa: descreva lentamente e com suspense os personagens. Por exemplo, não diga que ele viu um Bullywug, que é basicamente um homem-sapo. Antes da criatura aparecer, diga que ele ouve o som de um sapo coachando, mas que é mais forte e grave que o normal e o som vai se intensificando, até que ele vê diante de si uma criatura amarela esverdeada como uma caca de nariz, do tamanho de um homem, com pés e mãos com os dedos colados como de um sapo. Inclusive, sua cabeça é de sapo, com olhos esbugalhados e raivosos e uma boca que poderia comer numa bocada só um pote grande de sorvete.

4. Histórias simples e personagens simples

A criança pequena não conseguirá participar de uma história complexa com personagens em escalas de cinza, para mestrar pros pequeninos vale a pena assistir menos Game of Thrones e mais Ursinhos Gummi hahahahahha. Em suas histórias, faça o bom como bom e o mau como mau, onde o bom nunca faz coisas más e os maus só fazem coisas boas se estiverem tentando enganar. Essa polarização para criança é muito importante, já que ainda estão desenvolvendo o caráter e noções de valores. Isso não significa que precisam ser mantidos estereótipos do tipo a bruxa é má e a princesa é boa, fazer combinações diferentes pode ser super legal, como um goblin assustador mas amigo, um dragão bom mas medroso, etc.

5. Histórias para divertir ou ensinar? Ambas!

RPG é diversão, é suspense, é planejamento, e é educativo também. Ao pensar nas histórias que irá contar, pense em maneiras de adicionar pitadas educativas no cenário, desafios ou personagens, como quebra-cabeças de matemática, ciências, trava-línguas. Só não exagere para não matar os jogadores de tédio ou cansaço, a ideia é passar boas horas juntos, e mesmo que não coloque desafios educativos diretamente, o próprio fato de lutar, interpretar e evoluir os personagens no jogo já tem sua parcela pedagógica.

Tem mais alguma dica, dúvidas ou quer trocar figurinhas? Vamos conversar nos comentários!

Um menino que era de riso fácil e contagiante, começa a ficar mais solitário. Na escola ninguém queria ele no time, os colegas o achavam nerd e efeminado. Ele começou a ficar mais sensível e chorar muito. Até que ele parou de chorar e os pais não conseguiram mais ajudar.

Pôster do documentário Bullying.

Os colegas da escola falavam que ele deveria se enforcar, que ele não valia nada. Não aguentando mais o bullying que sofria, cometeu suicídio…

Essa é a história de Tyler, apenas uma das várias que são contadas no documentário Bullying (2011), dirigido magistralmente por Lee Hirsch.

É com esse nó na garganta que a obra começa. E durante os próximos 90 minutos iremos acompanhar o cotidiano de várias outras famílias com crianças que sofrem bullying nas escolas e em outros momentos de suas vidas.

Por exemplo:

Alex é um garoto de 12 anos, apelidado de “cara de peixe”. Gosta de estudar, mas não tem amigos e sofre violência verbal e física o tempo todo de outras crianças, alguns o enforcam, dão tapas e o ameaçam simplesmente por ele estar ali.

Alex em cena de Bullying, filme dirigido por Lee Hirsch.
Alex

Outra criança que vemos é Ja’Meya, de 14 anos e ótima jogadora de basquete, possui vários troféus em seu quarto. Mas no ônibus para a escola ela é constantemente alvo de chacota por ser negra e fora dos padrões de beleza, as crianças a xingam e jogam coisas nela. Um dia ela acha uma arma na casa da sua mãe e leva pra escola, no ônibus, quando começam a zoar ela, ela tira o revólver e ameaça a todos. Apesar de ser a vítima das agressões diárias, é ela quem vai para a casa de detenção.

Há outras histórias, todas merecem ser vistas. Todo mundo que tem filho deveria assistir com o filho (no Netflix tem dublado!), não só quem tem criança que sofre com bullying, mas caso o filho pratique isso também ou para conscientizar quem presencia isso.

Eu mesmo confesso que fui uma criança que tanto sofreu com isso (em especial um apelido odiável que não vem ao caso, que recebi quando contei segredos para um amigo, que espalhou) quanto praticou, infelizmente era um ato normalizado no senso comum, “crianças são assim mesmo”. Eu só fui ter consciência disso e problematizar lá pelos 16 anos, na minha fase de ovelha negra, quando decidi assumir posições que batiam de frente com minha família e com a mentalidade do interiorrrr.

Do meu círculo na escola consigo lembrar de pelo menos 3 pessoas que foram muito impactadas por esse tipo de violência, um por ter um jeito ~louco~ e ansioso, outra que saia com alguns meninos na 4ª série e era rotulada por isso e outro que era gordinho e lutava com monstros imaginários.

Escola pode ser um ambiente terrível para quem é diferente e crianças podem ser muito inconsequentes. Por isso que esse documentário é essencial! E embora pareça uma obra que vai te deixar deprê, o documentário mostra também a união de pais, crianças, jovens e da sociedade que buscam dar um basta nisso e criam uma comunidade de apoio anti-bullying.

Veja o trailer abaixo:

O documentário Bullying está disponível na Netflix, assista clicando aqui. Caso ainda não tenha assinatura, comece seu mês grátis: http://bit.ly/netflixassinar

O Família Palmito faz parte do #StreamTeam do Netflix, nessa parceria, compartilho aqui as melhores dicas para pais de conteúdo que tem por lá o/

  • Uma última coisa: escrevendo este post, fui pesquisar as crianças do documentário, é muito bacana ver que graças a união que surgiu após o filme elas se tornaram jovens mais eloquentes, inteligentes e confiantes. Vale a pena também acompanhar a página do filme no Facebook: https://www.facebook.com/bullymovie