24 de fevereiro de 2021

por que fugimos de boas mudanças?

Foto com filtro cinza azulado, mostrando pai e filho segurando corações de madeira e sorrindo.

ser pai fez eu me tornar muito mais medroso, evitando mudanças (inclusive as boas). mas a "conjuntura" sempre me empurra a fazer as mudanças que preciso, não necessariamente as que quero.

tentei evitar a separação mesmo sabendo que era melhor pro Migs, pra mãe dele e pra mim.

tentei me manter num emprego onde eu arriscava minha vida toda noite ao voltar pra casa cansado de moto, pegando horas de estrada.

não queria começar um novo relacionamento por não saber como seria a nova dinâmica da família, mesmo curtindo cada dia mais com a Bruna.

não queria voltar a morar em Pedreira após anos construindo minha vida em outra cidade, mesmo sabendo que seria melhor financeiramente e que poderia reconstruir meus laços com a cidade onde nasci.

como o Miguel seria impactado pela mudança de casa? de cidade? nova escola? e os amigos? ele conseguiria fazer novos? cresceria sem raízes? que traumas estaria plantando?

após anos de terapia, eu ainda empurrava com a barriga meus problemas, criando milhares de "mas" e "e se" para evitar fazer as grandes mudanças que precisava.

esse ano eu talvez tenha feito uma das maiores e mais importantes mudanças da minha vida ao me demitir em plena pandemia de um emprego que eu não via mais sentido. num momento com 14 milhões de desempregados, sem auxílio emergencial, com filho pra criar e aluguel pra pagar.

sem escola para meu filho, um emprego que acolha essa "particularidade" de ser pai solo é pequeníssima. com escolas abertas já seria difícil, pois os horários teriam de ser flexíveis. 

mas isso não é desculpa para não mudar. ainda mais quando a opção de não mudar é adoecer.

por isso mudei, mesmo tendo medo. para meu filho não me ver fumando 10 cigarros por dia, eu trabalhando a noite, eu sem paciência para sua infância.

meu irmão tem uma fábrica onde ele faz peças em MDF e vende online. montei uma também, mas depois decidi que o melhor seria juntarmos forças. 

e já dá pra ver que essa foi a melhor escolha pra nós, pois as vendas crescem a cada dia (aproveite e passe lá). 

e já dá pra ver que também foi o melhor pra minha família, pois tenho me divertido mais com o Migs, caminhado, acompanhado ele nas lições de casa, ido ao médico pra fazer um check-up da saúde.

mas durante o aviso prévio eu ficava todo dia pensando se havia feito a escolha certa, pensando em pedir pra me aceitarem de volta e imaginando todos os cenários negativos possíveis. 

por fora, parecia confiante do rumo que escolhi; por dentro, me questionava a todo instante e tentava me agarrar a cada fiapo de motivação. mas aqui estou, com muito orgulho :)

você também é assim? passou por alguma grande mudança nesse tempos?

12 de janeiro de 2021

uma década de paternidade e o que aprendi

Foto com filtro cinza azulado, mostrando um quarto bagunça e meu filho me olhando da cama.

talvez, assim já de cara, a maior lição que aprendi é aquela que já sabia como filho: filhos não estão no mundo para satisfazer nossos desejos. ainda bem, inclusive.

aprendi que meu esforço me coloca no grupo dos bons pais, mas não dos ótimos nem dos ruins. ainda assim, meus cuidados não chegam perto daqueles de uma boa mãe.

falando em mãe, aprendi que não sou pãe. essa palavra feia envolve muito apagamento e romantização de uma situação que não é legal pra ninguém, nem pros pais solos e muito menos pras mães solos.

nessa década de paternidade, já passei por diversas fases e, a mais vergonha alheia, é aquela em que eu me julgava superior por ser pai solo e ser convidado a contar minha história na mídia. eu era jovem demais? era, mas isso não é desculpa. meu ascendente em Leão? talvez.

em uma década de paternidade aprendi mais com mães do que com pais. e aprendi que o termo "parentalidade" além de soar bonito é o caminho que devemos trilhar para um futuro melhor.

aprendi que produzir conteúdo digital sobre paternidade por 10 anos é uma doidera, tanta coisa mudou: orkut tava em alta quando comecei e o Google Reader também. eu confesso que perdi grande parte do ânimo que tinha no início, mas resisto porque amo escrever.

aprendi na prática que se cobrar demais é ruim, mas se cobrar de menos pode ser ainda pior. tô tentando fazer uma síntese disso ainda.

aprendi que nem tudo se deve aos nossos conselhos e exemplos. se você não cria filhos em gaiolas, ele tem um mundo inteiro de referências e você importa, mas parentes, amigos, professores, youtubers, entre outros, tem influência também.

e isso é ótimo, torna as conversas do dia a dia mais interessantes.

aprendi que nem tudo que se aprende é colocado em prática por alguma força mágica. exige um esforço do qual nem sempre estamos prontos ou para o qual temos força.

assim, aprendi que pra cuidar de um outro ser precisamos nos cuidar também. e que a casa bagunçada é um sinal de que estou uma bagunça (e isso bagunça também o Migs).
 
esse texto mesmo tá todo bagunçado, não sei se tem um fim. mas senti necessidade de botar pra fora e começar uma faxina em mim <3

18 de julho de 2020

dica de livro para pais: O Rei Lear, de Shakespeare

Foto minha segurando o livro "O Rei Lear", edição da L&PM Pocket com tradução de Millôr Fernandes.

pra fugir um pouco das notícias sobre pandemia, assuntos de trabalho e estudos da faculdade decidi comprar alguns livros literários e, dentre eles, uma grata surpresa: O Rei Lear, de William Shakespeare.

apesar de não ser um leitor acostumado com peças de teatro, fiquei apaixonado por essa tragédia do famoso dramaturgo, na qual tão bem trabalha relações familiares.

e por isso trago ele hoje aqui, como dica literária para pais (e mães também). confira o vídeo:



o livro O Rei Lear é curtinho e tá com desconto na Amazon. recomendo!

e você, já leu algo de Shakespeare? você tem alguma outra dica literária pra desanuviar a cabeça durante essa pandemia? deixe nos comentários ^_^

16 de abril de 2020

o que você tá fazendo com seu filho nessa quarentena?

pais e mães tem um desafio a mais na situação da pandemia de coronavírus: crianças em casa, sem poder brincar com amigos e frequentar escola, por exemplo.

numa situação dessas, fica a dúvida: o que fazer?

Foto de pai e filho brincando com jogo de tabuleiro.

eu não gosto da ideia de ensinar o que cada pai ou mãe tem que fazer, porque cada família tem sua vivência e peculiaridades, mas amo trocar ideias <3

por aqui, minha duas principais preocupações são:

- não me culpar por não fazer tudo o que gostaria com ele;
- criar momentos nossos, de nos desligar dos eletrônicos e nos conectar.

não é fácil, porque por aqui sigo um pouco sobrecarregado: o trabalho segue normal de home office, tenho os estudos por EAD da minha segunda graduação em Pedagogia, tem os cuidados de casa, do gato, de duas cachorras que comecei a dar lar temporário, com o namoro, com a atuação no partido que me filiei, participação nos grupos ambientalistas, etc.

Soma-se a tudo isso o sentimento de solidão criado pela quarentena, que acho que é o pior.

Foto das duas cachorras que esperam uma doação, mostrando elas deitadas comigo.
aproveito para mostrar as duas belezinhas que estão aqui de lar temporário, as duas precisam de um lar definitivo e já estão prontas para doação, é uma mãe e uma filha. a mãe teve uma infecção no estômago, mas agora já está boa. a filha tem um aninho e foi castrada, mas já se recuperou também. são duas vira-latas caramelo amáveis e ansiosas pra amar. fiz um post no Facebook, pra quem quiser ajudar na divulgação (se quiser adotar, é só me chamar).

infelizmente não consigo adotar nenhuma das duas, pois meu gato Chuck não se dá bem com cachorros (provavelmente lembrança de sua vida na rua antes de ser resgatado).

voltando ao assunto hahahaha

além dos cuidados do dia a dia, os papos de café da manhã, almoço, jantar, banho, etc, eu e o Migs temos adotados os momentos de desconectar da internet, principal companhia que temos nesses dias.

nesse momentos fazemos:

- jogos de tabuleiro. a principal descoberta nessa quarentena foi o Carcassone, que comprei há vários anos pra jogar com amigos e que só tirei da caixa agora. demorei porque achei que seria difícil aprender sozinho, mas o jogo é bem simples e razoavelmente rápido, pra 2 ou mais jogadores.

- momento da leitura. isso sempre esteve em nossa rotina, muito mais forte na primeira infância, mas volta e meia depois também. ontem terminamos a leitura de A máscara monstruosa, primeiro livro que lemos da série de terror infantojuvenil Goosebumps. antes dele havíamos lido O meu pé de laranja lima, obra nacional maravilhosa que nos emocionou demais.

- estudos. aqui em Pedreira as escolas públicas municipais não estão oferecendo aulas virtuais, mas tenho tentado manter meu filho estudando um mínimo ao menos na quarentena. pra isso, usamos a plataforma Khan Academy pra estudar Português, Matemática e Ciências. não exijo muito, acho errado nesse momento, mas ao menos 20 minutos por dia a gente vê aulas e faz exercícios juntos.

- sorvete! comprei umas forminhas de sorvete e estamos fazendo sempre com suco natural, principalmente de laranja e limão que são baratinhos. aí a gente senta no quintal pra tomar e conversar sobre o que vier a mente.

e por aí, como tem sido? tem dicas pra compartilhar também? adoraria saber, deixe nos comentários! <3

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