12 de janeiro de 2021

uma década de paternidade e o que aprendi

Foto com filtro cinza azulado, mostrando um quarto bagunça e meu filho me olhando da cama.

talvez, assim já de cara, a maior lição que aprendi é aquela que já sabia como filho: filhos não estão no mundo para satisfazer nossos desejos. ainda bem, inclusive.

aprendi que meu esforço me coloca no grupo dos bons pais, mas não dos ótimos nem dos ruins. ainda assim, meus cuidados não chegam perto daqueles de uma boa mãe.

falando em mãe, aprendi que não sou pãe. essa palavra feia envolve muito apagamento e romantização de uma situação que não é legal pra ninguém, nem pros pais solos e muito menos pras mães solos.

nessa década de paternidade, já passei por diversas fases e, a mais vergonha alheia, é aquela em que eu me julgava superior por ser pai solo e ser convidado a contar minha história na mídia. eu era jovem demais? era, mas isso não é desculpa. meu ascendente em Leão? talvez.

em uma década de paternidade aprendi mais com mães do que com pais. e aprendi que o termo "parentalidade" além de soar bonito é o caminho que devemos trilhar para um futuro melhor.

aprendi que produzir conteúdo digital sobre paternidade por 10 anos é uma doidera, tanta coisa mudou: orkut tava em alta quando comecei e o Google Reader também. eu confesso que perdi grande parte do ânimo que tinha no início, mas resisto porque amo escrever.

aprendi na prática que se cobrar demais é ruim, mas se cobrar de menos pode ser ainda pior. tô tentando fazer uma síntese disso ainda.

aprendi que nem tudo se deve aos nossos conselhos e exemplos. se você não cria filhos em gaiolas, ele tem um mundo inteiro de referências e você importa, mas parentes, amigos, professores, youtubers, entre outros, tem influência também.

e isso é ótimo, torna as conversas do dia a dia mais interessantes.

aprendi que nem tudo que se aprende é colocado em prática por alguma força mágica. exige um esforço do qual nem sempre estamos prontos ou para o qual temos força.

assim, aprendi que pra cuidar de um outro ser precisamos nos cuidar também. e que a casa bagunçada é um sinal de que estou uma bagunça (e isso bagunça também o Migs).
 
esse texto mesmo tá todo bagunçado, não sei se tem um fim. mas senti necessidade de botar pra fora e começar uma faxina em mim <3

18 de julho de 2020

dica de livro para pais: O Rei Lear, de Shakespeare

Foto minha segurando o livro "O Rei Lear", edição da L&PM Pocket com tradução de Millôr Fernandes.

pra fugir um pouco das notícias sobre pandemia, assuntos de trabalho e estudos da faculdade decidi comprar alguns livros literários e, dentre eles, uma grata surpresa: O Rei Lear, de William Shakespeare.

apesar de não ser um leitor acostumado com peças de teatro, fiquei apaixonado por essa tragédia do famoso dramaturgo, na qual tão bem trabalha relações familiares.

e por isso trago ele hoje aqui, como dica literária para pais (e mães também). confira o vídeo:



o livro O Rei Lear é curtinho e tá com desconto na Amazon. recomendo!

e você, já leu algo de Shakespeare? você tem alguma outra dica literária pra desanuviar a cabeça durante essa pandemia? deixe nos comentários ^_^

16 de abril de 2020

o que você tá fazendo com seu filho nessa quarentena?

pais e mães tem um desafio a mais na situação da pandemia de coronavírus: crianças em casa, sem poder brincar com amigos e frequentar escola, por exemplo.

numa situação dessas, fica a dúvida: o que fazer?

Foto de pai e filho brincando com jogo de tabuleiro.

eu não gosto da ideia de ensinar o que cada pai ou mãe tem que fazer, porque cada família tem sua vivência e peculiaridades, mas amo trocar ideias <3

por aqui, minha duas principais preocupações são:

- não me culpar por não fazer tudo o que gostaria com ele;
- criar momentos nossos, de nos desligar dos eletrônicos e nos conectar.

não é fácil, porque por aqui sigo um pouco sobrecarregado: o trabalho segue normal de home office, tenho os estudos por EAD da minha segunda graduação em Pedagogia, tem os cuidados de casa, do gato, de duas cachorras que comecei a dar lar temporário, com o namoro, com a atuação no partido que me filiei, participação nos grupos ambientalistas, etc.

Soma-se a tudo isso o sentimento de solidão criado pela quarentena, que acho que é o pior.

Foto das duas cachorras que esperam uma doação, mostrando elas deitadas comigo.
aproveito para mostrar as duas belezinhas que estão aqui de lar temporário, as duas precisam de um lar definitivo e já estão prontas para doação, é uma mãe e uma filha. a mãe teve uma infecção no estômago, mas agora já está boa. a filha tem um aninho e foi castrada, mas já se recuperou também. são duas vira-latas caramelo amáveis e ansiosas pra amar. fiz um post no Facebook, pra quem quiser ajudar na divulgação (se quiser adotar, é só me chamar).

infelizmente não consigo adotar nenhuma das duas, pois meu gato Chuck não se dá bem com cachorros (provavelmente lembrança de sua vida na rua antes de ser resgatado).

voltando ao assunto hahahaha

além dos cuidados do dia a dia, os papos de café da manhã, almoço, jantar, banho, etc, eu e o Migs temos adotados os momentos de desconectar da internet, principal companhia que temos nesses dias.

nesse momentos fazemos:

- jogos de tabuleiro. a principal descoberta nessa quarentena foi o Carcassone, que comprei há vários anos pra jogar com amigos e que só tirei da caixa agora. demorei porque achei que seria difícil aprender sozinho, mas o jogo é bem simples e razoavelmente rápido, pra 2 ou mais jogadores.

- momento da leitura. isso sempre esteve em nossa rotina, muito mais forte na primeira infância, mas volta e meia depois também. ontem terminamos a leitura de A máscara monstruosa, primeiro livro que lemos da série de terror infantojuvenil Goosebumps. antes dele havíamos lido O meu pé de laranja lima, obra nacional maravilhosa que nos emocionou demais.

- estudos. aqui em Pedreira as escolas públicas municipais não estão oferecendo aulas virtuais, mas tenho tentado manter meu filho estudando um mínimo ao menos na quarentena. pra isso, usamos a plataforma Khan Academy pra estudar Português, Matemática e Ciências. não exijo muito, acho errado nesse momento, mas ao menos 20 minutos por dia a gente vê aulas e faz exercícios juntos.

- sorvete! comprei umas forminhas de sorvete e estamos fazendo sempre com suco natural, principalmente de laranja e limão que são baratinhos. aí a gente senta no quintal pra tomar e conversar sobre o que vier a mente.

e por aí, como tem sido? tem dicas pra compartilhar também? adoraria saber, deixe nos comentários! <3

24 de fevereiro de 2020

o privilégio de não saber cozinhar e o privilégio de estar sempre aprendendo

o meu filho me zoou quando eu disse que EU ia passar a fazer almoço e jantar em casa, agora que moramos sozinhos novamente.

Foto do meu filho jantando a comida que preparei: arroz a grega, purê de batata e salsicha no molho.

da outra vez, não precisei aprender: em Campinas ele ia numa escola integral do município e depois num serviço social. ele tinha café da manhã, almoço, lanchinho da tarde, café da tarde e jantar (às 17h, mas era jantar).

a noite, fazia algo só pra gente matar a fome, geralmente um pão ou macarrão. ou íamos comer um pastel da esquina. ou pedíamos sushi no iFood. eu, no meu almoço, pedia marmitex num mercadinho do bairro e já era. comentei disso no ano passado.

funcionou bem até mudar os esquemas do meu trabalho, quando virei MEI e perdi meu vale-almoço e vale-refeição (obrigado, Temer, PP e Bolsonaro, PSDB, DEM e cia. por aprovarem uma reforma trabalhista que permite terceirização de atividade-fim, deu super certo pro país #sqn).

pra piorar, meu pai havia morrido no ano anterior e já estava bem difícil não poder contar com alguém em momentos de desespero financeiro. fui pedindo empréstimo pra pagar empréstimo.

mas sem tempo para papo triste que a quaresma ainda nem chegou, estamos no Carnaval. resumindo: voltei pra Pedreira pra morar com família e, com a situação um pouco melhor, arranjei novamente uma casinha pra eu viver com meu filho e com o nosso gato Chuck.
mas a situação não melhorou o suficiente para viver de marmitex e, mais uma vez, lá vai eu aprender coisas novas e importantes por conta da necessidade.
acho que quando eu tinha uns 15 anos eu era melhor na cozinha do que eu era no início deste ano. não tenho vergonha de dizer que em janeiro eu não sabia fazer nada além de macarrão, arroz e ovo, porque eu sei que não aprendi porque não precisei, fez parte dos meus privilégios de homem branco classe média.

por outro lado, o bom de estudar Pedagogia é que entendemos que ninguém sabe tudo, aprendizado é um processo e estamos sempre aprendendo. e é a esta ideia que tenho me apegado para me desafiar na cozinha (e confesso que embora esteja uma correria do trampo, almoço e escola, é um dos momentos que mais curto no dia).

vou publicar abaixo as receitas que aprendi, pra mais tarde olhar e ver o quanto evolui.

- arroz branco
- arroz à grega
- feijão
- ovo frito
- ovo mexido
- batata frita
- batata rústica frita
- purê de batata
- frango frito
- frango à milanesa
- torresmo de berinjela
- macarrão com molho pronto
- macarrão com salsicha no molho
- saladas simples (com um vegetal)
- sobremesa de banana congelada com chocolate derretido
- sobremesa de suco de laranja com leite condensado congelados (vira um misto de sorvete/mousse)
- torrada com azeite e orégano

agora que já sabe o que aprendi, aproveite e me ajude: deixe nos comentários uma receita fácil e rápida pra eu tentar fazer!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...