A Casa
Composição: Rafael Noris e Francine Cristino

Era uma casa muito bagunçada,
Não tinha espaço pra mais nada

Ninguém entrava nela, se não
Aprovasse a nossa confusão

Às vezes surgem nas paredes
Algumas aranhas em suas redes

O nosso palmito sempre faz pipi
Em quem aparece por aqui

E se você acha que eu exagero
você tem razão, assim espero.

Nasceu o garotão, às 14h59 do dia 23 de maio de 2010.

Depois de quase meia hora de carnificina, barriga aberta, sucção de líquido amniótico, corte da placenta, eis que surge o Miguel.

Coragem, aquele bichinho mole e roxo, nem chorou direito quando saiu.

Não deu um minuto, quem começou a chorar fui eu.

Enquanto duas mocinhas o limpavam, outra fotografou eu e a Fran.

Que momento! Indescritível.

O Marlão, meu professor de criação publicitária, chegou muito perto quando disse:

quando ele nascer, você se sentirá um merda, vai ver que você não é nada, ele é que é tudo na sua vida.

Pois é tudo verdade. Só sabe quem é pai. Se bem que acredito que a mãe deva saber algo parecido, mas como é menino, acho que os homens sabem melhor.

Veio com saúde, está gatão, melhor que isso, só se ele aprender a mamar (pois é, ao invés de chupar os seios, ele ainda só lambe, não sai das preliminares esse garoto).

Fui, mas antes de ir, um terceto em homenagem ao Miguel Angelo Noris, no formato dos haikais de Guilherme de Almeida (verso 1 rima com o verso 3, verso 2 tem uma rima interna entre a segunda sílaba e a última – divisão sílabica de 5-7-5).

MIGUEL

na tarde de outono
trilho uma nova via, um filho
a tirar meu sono.