5 de março de 2017

Pai também é gente, saudades do meu

Meu pai morreu semana retrasada, faltando 12 dias para seu aniversário, que seria hoje. A ficha não caiu rápido pra mim, só quando eu vi ele estirado no caixão é que chorei, embora soubesse da notícia 12 horas antes.

Foto minha, com meu pai e com meu filho.

Fiquei sabendo pela minha namorada, que foi a minha casa e me contou, pois eu havia deixado o celular no Modo Avião pra dormir sossegado. Fui o único que dormiu sossegado no dia 22 de fevereiro de 2016. Vou divagar um pouco: nesse mesmo dia, fez 8 anos da morte do meu avô, por parte materna. E mais: quando meu vô por parte paterna morreu, meu pai tinha a minha idade. Coincidências...

Eu não me dava bem com ele, nós dois pensamos diferentes, mas temos o mesmo gênio: impulsivos, explosivos, hiperativos. Pensávamos. Tínhamos. Ainda me confundo com os tempos verbais, porque a ficha caiu, mas tem um monte ainda pra cair.

Acho fácil aceitar o diferente, mas o que é igual a mim me incomoda. Por isso que ele e meu filho são as pessoas que conseguem me desestruturar mais facilmente. Eu cobrava um ser humano exemplar do meu pai, esquecendo que ele é humano e tem defeitos como todo mundo. Ele trabalhava demais, era estressado, aprontava com minha mãe, xingava as pessoas quando algo não era do jeito dele, bebia bastante (mesmo tomando remédio)... A morte dele não me fez esquecer isso...

Foto de um desenho que meu pai fez num caderno dele de 8ª série, com naves, vulcões e meteoros.
Desenho num caderno dele da 8ª série
Por outro lado, me fez perceber ele como outro, uma pessoa, não um ideal. Alguém que rabiscava nos cadernos da escola com desenhos de naves espaciais fugindo de asteróides (que, inclusive, tinha versos melosos nesse mesmo caderno), alguém que gostava de zoar com amigos, alguém que se preocupava com os filhos, mas não sabia expressar seus sentimentos, alguém que queria crescer, alguém que não deixava a família passar necessidade, alguém que ainda pequeno entregava jornal pra conseguir seu dinheiro pra comprar figurinhas.

Última foto minha com ele
A morte dele me fez lembrar das vezes que pedalávamos juntos por estradas longas quando eu era pequeno, de quando a gente passeava com nosso pastor alemão pelo bairro, de quando ele me deu um Super Nintendo no aniversário de 6 anos, aquele que me deu uma guitarra graças a qual entrei numa banda punk, aquele que me levou pro hospital quando fiz merda, aquele que, em nosso último fim de semana juntos, tentou me arrastar pra lanchonete, quando eu só queria ficar no meu quarto lendo. Agora queria ter ido, mesmo que fosse pra ouvir ele fazendo piada tosca, enchendo o saco, me provocando. Mas o que passou, passou.

Eu não acredito em Deus nem em outras vidas, Gostaria que existisse, pedir desculpas por ser um filho que deu tanto trabalho e foi tão chato com ele, mas acho que se existissem outras vidas e o reencontrasse, a única coisa que faria ao vê-lo seria zoar e falar alguma besteira. Era o nosso jeito de demonstrar afeto.

Se de pequeno o idealizava e de adolescente o culpava por tudo, quando me tornei pai, fui me equilibrando. Não deu pra curtir muito essa fase mais moderada, o infarto não marca horário nem nos prepara. Hoje é o primeiro aniversário dele sem sua presença. E minha comemoração é tirar esses pensamentos do peito e colocar aqui, para elaborá-los melhor.

Obrigado a todos que me acompanham, aos que me mandaram mensagens no meu Facebook ou Whatsapp e aos que estiveram no velório/enterro.

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
[...]
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

20 de fevereiro de 2017

Redescobrindo a caminhada sem rumo

Eu tenho andado estressado. Normal, levando em conta que eu e o Miguel somos TDAH, tenho que lidar com ele sozinho, com trabalho, com a casa, com as reclamações na escola, com o estilo opositor dele, além do fato de não estar praticando mais nenhum esporte e dormindo pouco a noite. Mas decidi mudar!

Marquei consulta com a psiquiatra do SUS aqui do bairro, chorei minhas pitangas pra ela e, além da sertralina para a ansiedade, sai com 2 missões: fazer caminhadas por 30 minutos pelo menos e diminuir o café. Diminuir o café tem sido o mais difícil, mas aprendi a técnica de só molhar a xícara com ele pra sentir o gosto 3 vezes por dia. Para quem tomava umas 5 xícaras cheias por dia, é um baita avanço.


A caminhada é um negócio que eu sentia muita falta. Eu caminhava praticamente toda noite quando morava em Campinas sem o Miguel e fazia por prazer, não pra saúde nem nada. Para mim era quase uma meditação, era o momento que minha cabeça não funcionava a mil por hora como no dia a dia e os pensamentos iam todos para os meus pés.

Quando fui morar em Pedreira para ficar mais tempo com ele, às vezes caminhávamos juntos e cheguei a escrever já sobre isso aqui. Mas conforme ele foi crescendo meio que abandonamos esse hábito e, para dificultar, eu estava num emprego que consumia todo o meu tempo e energia.

De emprego novo, casa nova e ano novo, estamos voltando a caminhar sem rumo pelo bairro. Mas mudou muita coisa das caminhadas de antes pra hoje. Antes era de fim de semana, agora é todo dia, antes ele adorava, agora tem de ser convencido. É difícil tirar ele dos canais de Minecraft no Youtube e confesso que é difícil eu deixar também minhas séries de lado hahahahaha mas estamos fazendo pela saúde, física e mental :-)



Mas nem é só isso, diferente de quando ele era pequeno e eu ficava vendo ele descobrindo as coisas e viajando no mundinho dele, agora podemos compartilhar nossos mundinhos, podemos conversar sobre inúmeras coisas, sobre escola, jogos, minhas histórias, séries, livros, amigos, a gente acaba se conhecendo muito melhor. É um tempo de qualidade, que me faz sentir um pai melhor.

E agora o Pokémon Go liberou novos Pokémon, então estamos aproveitando pra aumentar nossa Pokédex também ^.^

É um pouco difícil se abrir publicamente falando que tenho ido em psiquiatra ou que ando estressado, porque há muito preconceito e julgamento, mas é exatamente pra combater isso que decidi falar disso aqui. O próximo passo é fazer terapia, que começarei nessa semana. Já fiz outras vezes e ajudou, mas não muito, dessa vez decidi tentar com a linha cognitivo-comportamental. Se ajudar conto por aqui!

1 de fevereiro de 2017

O mundo na visão dos bebês


Você sabia que os bebês só conseguem ver cores com 3 meses? E que só nessa época também que ele consegue ver os traços do rosto dos pais? Eu sabia só meio por cima, mas nunca consegui imaginar antes... Até ver o GIF abaixo numa matéria da Superinteressante:



O GIF é do centro oftalmológico Clinic Compare e mostra a evolução da visão dos bebês no primeiro ano, mês a mês. São necessários praticamente 2 anos para a visão deles se estabilizarem e para o córtex visual conseguir processar todas as informações que vêem de uma vez.

Não é demais?!

16 de janeiro de 2017

A melhor lista de resoluções para 2017 que você respeita

Esse ano decidi que não ia fazer uma lista de resoluções, mas manter os bons hábitos que tenho criado pra mim (com o Habitica, lembra?). Mas um email da Netflix me fez mudar de ideia, um email com um modelo de lista Resoluções Netflix para 2017!

Foto das minhas resoluções Netflix para 2017 preenchidas.

Minhas resoluções:

VOU ASSISTIR IMEDIATAMENTE

- Desventuras em Série (quero devorar a série e os livros ao mesmo tempo)
- The Crown (já devia ter assistido, série maravilinda)
- Brooklyn 9-9 (muita gente me falou que é uma ótima série de comédia em questão de representatividade)
- Luke Cage (me preparar para o Punho de Ferro e Os Defensores)

VOU ASSISTIR COM MINHA FAMÍLIA

- Que Monstro Te Mordeu? (série maravilhosa brasileira que assisti na Cultura, mas picotado, agora preciso maratonar com o Migs)
- Bottersnikes & Gumbles (fui com a cara deles e quero ver qual é que é)
- Clone Wars (nunca assisti nada que não fosse os filmes da saga, agora quero começar a ver mais desse universo com o meu filho)
- Nossa Casa (assisti só o piloto e gostei, mas aí lançaram o Caçadores de Trolls e fomos sugados pela série. Agora que terminamos preciso voltar a esse, que parece bem divertido)

VOU FINALMENTE TERMINAR DE ASSISTIR

- Arquivo-X (quase 8 anos pra chegar na 4ª temporada, nunca demorei tanto para terminar uma série que gosto hahahahaha)
- Hora de Aventura (quero assistir sequencial, parei na 4ª temporada também)
- Voltron (eu e o Miguel gostamos bastante, mas deixamos ela de lado antes de terminar. Ele adora, mas eu não conseguia tempo pra assistir junto)

BAIXE O MODELO CLICANDO AQUI.

Já assistiu algo dessa lista? O que achou? E na sua lista, o que você tem ou vai colocar? Me conte nos comentários ;-)

15 de janeiro de 2017

Você já viu um coelho de óculos?

E aí que o Miguel vai começar a usar óculos, saca só a figura:

Foto do Miguel imitando coelho com seu novo óculos.

Nada grave, é mais pra ajudar com visão de longe, menos de um grau. Na idade dele eu também usava, mas tinha uma visão mais zoada, tanto pra perto quanto pra longe, e o uso corrigiu bastante. Ainda me indicam a usar um pouco pra dor de cabeça, mas me recuso por teimosia. Eu era assim:

Foto minha quando tinha 6 anos, usando óculos.


Eu odiava usar óculos pra ir na escola, me sentia feio. As pessoas que usavam na época eram apelidadas de quatro olhos e coisas do tipo e eu não queria mais um apelido, além de Tigelinha (do corte de cabelo). Como será que está hoje em dia? Aposto que mais fácil, agora ser "nerd" está na moda.

O Miguel super amou os óculos, mas ainda não foi na escola. Tô ansioso pra ver como será, como ele se sentirá, e torcendo pra ele não perder ou quebrar hahahahahaha...
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