9 de agosto de 2019

Não existe pai perfeito, mas nossa régua está baixa

sempre que falo que sou pai solo as pessoas acham que sou extraordinário. mas eu não sou um pai perfeito. longe disso, aliás.

talvez acima da média, mas só porque nossa régua de pais é bem baixa. uma mãe considerada ruim geralmente está no mesmo nível (ou acima) de um pai bom.

Foto de pai e filho lendo, no meio de bagunça.

eu, por exemplo, não sei cozinhar, não sei faxinar, costumo ser desorganizado (embora nisso esteja melhorando bastante). mas o tempo que morei sozinho em Campinas com o Migs foi quando mais aprendi, pois tive que me virar.

mas não aprendi a cozinhar, aprendi a buscar ajuda: o tempo que eu trabalhava, meu filho estava na escola com café da manhã e almoço ou no serviço social que atendia o bairro, com lanche da tarde e jantar.

se batesse a fome a noite a gente se virava.

mantínhamos em casa 2 pratos, 4 jogos de talheres, 4 copos e poucas panelas e tigelas, pois isso evitava acumular louça.

lavar roupa é fácil, só jogar na máquina separando as brancas, das coloridas e das pretas e colocar sabão e amaciante na medida.

passar roupa era outra história, chatíssima e cansativa. fiz no primeiro mês e depois fazia um daqueles "lifehacks": ao acabar de lavar, já batia elas e estendia no varal com cabide.

não ficava perfeito, mas aceitável. mais ou menos como me enxergo como pai.

já me cobrei menos, já me cobrei mais. hoje faço o que posso, tentando reduzir os defeitos e melhorar as qualidades.

uma dessas qualidades é a honestidade, o que tem feito eu mudar como escrevo aqui. não porque antes era desonesto, mas sinto que acabava passando uma imagem com a qual não me identificava tanto.

no fim do ano passado voltei a morar com minha família por questões financeiras. tendo crescido com um pai tradicional, provedor (que morreu novo de infarto, muito por conta de tanto trabalhar), isso me abalou bastante e entrei numa fase depressiva da qual venho saindo.

e só tenho me fortalecido em diálogos abertos. principalmente fora das redes sociais públicas, onde tantos se mostram perfeitos enquanto outros observam armados, esperando deslizes.

o ambiente virtual tem se tornado tóxico. e acho que a cura só vai vir quando, contraditoriamente, nos armarmos com nossas vulnerabilidades.

aproveitando o tema de vulnerabilidade e papo aberto, nesse Dia dos Pais participei de duas iniciativas que me orgulho demais e recomendo uma passadinha:


  1. para a TNT Energy Drink, um papo acolhedor sobre vivências, alegrias e desafios com outros pais solos, alguns por separação e outros por fatalidade. assista aqui.
  2. para o portal d/propósito, em que gravei um podcast com o Leandro Ziotto, sobre a importância de desconstruir estereótipos paternos e a paternidade como ato afetivo, social e político. ouça aqui.


desejo a todos os pais que me acompanham um ótimo Dia dos Pais e que se desafiem cada vez mais a serem pessoas melhores, pelos seus filhos e pelos filhos de todos porque ninguém é uma ilha.

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