24 de julho de 2018

Como falo sobre morte com meu filho

Semana passada tivemos que lidar com mais uma perda por aqui, dessa vez do meu sogro que teve complicações da metástase.

Foto do Miguel colocando uma flor no túmulo do meu pai.

Eu sempre fico abalado com essas coisas, mas minha maior dor é por imaginar a dos outros. Na semana passada, pela dor da minha namorada e do vô dela. Quando meu pai morreu, pela dor da minha mãe.

E outra preocupação, é claro, é para contar ao meu filho. Vocês já passaram por isso? Como foi por aí?

No caso do meu pai, eu me segurei quando recebi a notícia e falei para o Miguel que o vovô estava muito doente no hospital e precisaríamos ir para Pedreira dar apoio pra vovó, para dar um tempo dele processar que havia algo grave, mas sem dar a informação de uma vez.

Quando chegamos lá, com toda a família chorando, chamei ele para conversarmos sozinhos e contei que o vovô havia morrido. De uma doença do coração (foi uma ataque cardíaco), que ele não havia cuidado direito (ele ingeria bebidas alcoólicas durante o tratamento de hipertensão).

Foi uma semana bem pesada que tivemos pela frente, e o Miguel, com 6 anos e meio, alternava por fases de brincar normalmente e alegre para outras de choro ininterrupto e isolamento.

Eu o apoiei e compartilhei com ele cada momento do luto, inclusive estivemos no velório.

Ele não tinha dimensão da morte e houve momentos que perguntava se o vovô ia voltar e se tinha algum jeito de vê-lo. De acordo com meu ponto de vista, expliquei que quem morria não voltava, infelizmente, mas que estaria sempre em nossas lembranças.

Aproveitei o momento para explicar que diversas religiões tinha diversas visões sobre o assunto, mostrando que eu como ateu tinha uma, mas a vovó na umbanda tinha outra, a minha namorada espírita uma diferente também e que ele poderia acreditar no que quisesse, pois ninguém sabe direito o que acontece.

Agora neste luto mais recente, explicar foi mais simples. Até porque ele sabia que minha namorada estava com o pai muito doente, ela estava sempre no hospital.

Quando soubemos da notícia, o Miguel estava de férias na vovó. Liguei por vídeo-chamada para dar a notícia e perguntar se ele queria ir no velório, ver o vovô Udininho e dar uma força para a madrasta.

Ele quis, veio, abraçou todos, ficou junto durante a reza.

E ao mesmo tempo se demonstrou curioso, com perguntas como "por que tem tampões no nariz?" ou "por que as pernas ficam cobertas pelos enfeites?" e coisas assim. Pesquisamos juntos e descobrimos algumas respostas.

Eu acredito que o luto é uma dor muito grande, tanto para adultos quanto para crianças, mas não há superação sem encarar o assunto de frente.

Dos dois vovôs, ficam as saudades dos churrascos do meu pai e das brincadeiras do meu sogro.

E o aprendizado de que saúde é coisa séria. Nós homens precisamos inserir mais exames preventivos periódicos em nossa rotina tão corrida.
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