20 de fevereiro de 2017

Redescobrindo a caminhada sem rumo

Eu tenho andado estressado. Normal, levando em conta que eu e o Miguel somos TDAH, tenho que lidar com ele sozinho, com trabalho, com a casa, com as reclamações na escola, com o estilo opositor dele, além do fato de não estar praticando mais nenhum esporte e dormindo pouco a noite. Mas decidi mudar!

Marquei consulta com a psiquiatra do SUS aqui do bairro, chorei minhas pitangas pra ela e, além da sertralina para a ansiedade, sai com 2 missões: fazer caminhadas por 30 minutos pelo menos e diminuir o café. Diminuir o café tem sido o mais difícil, mas aprendi a técnica de só molhar a xícara com ele pra sentir o gosto 3 vezes por dia. Para quem tomava umas 5 xícaras cheias por dia, é um baita avanço.


A caminhada é um negócio que eu sentia muita falta. Eu caminhava praticamente toda noite quando morava em Campinas sem o Miguel e fazia por prazer, não pra saúde nem nada. Para mim era quase uma meditação, era o momento que minha cabeça não funcionava a mil por hora como no dia a dia e os pensamentos iam todos para os meus pés.

Quando fui morar em Pedreira para ficar mais tempo com ele, às vezes caminhávamos juntos e cheguei a escrever já sobre isso aqui. Mas conforme ele foi crescendo meio que abandonamos esse hábito e, para dificultar, eu estava num emprego que consumia todo o meu tempo e energia.

De emprego novo, casa nova e ano novo, estamos voltando a caminhar sem rumo pelo bairro. Mas mudou muita coisa das caminhadas de antes pra hoje. Antes era de fim de semana, agora é todo dia, antes ele adorava, agora tem de ser convencido. É difícil tirar ele dos canais de Minecraft no Youtube e confesso que é difícil eu deixar também minhas séries de lado hahahahaha mas estamos fazendo pela saúde, física e mental :-)



Mas nem é só isso, diferente de quando ele era pequeno e eu ficava vendo ele descobrindo as coisas e viajando no mundinho dele, agora podemos compartilhar nossos mundinhos, podemos conversar sobre inúmeras coisas, sobre escola, jogos, minhas histórias, séries, livros, amigos, a gente acaba se conhecendo muito melhor. É um tempo de qualidade, que me faz sentir um pai melhor.

E agora o Pokémon Go liberou novos Pokémon, então estamos aproveitando pra aumentar nossa Pokédex também ^.^

É um pouco difícil se abrir publicamente falando que tenho ido em psiquiatra ou que ando estressado, porque há muito preconceito e julgamento, mas é exatamente pra combater isso que decidi falar disso aqui. O próximo passo é fazer terapia, que começarei nessa semana. Já fiz outras vezes e ajudou, mas não muito, dessa vez decidi tentar com a linha cognitivo-comportamental. Se ajudar conto por aqui!

6 comentários:

  1. Pô, que postagem legal, clara, empática, Rafa. Legal demais, denota muita coragem tomar da primeira à última atitude que comentou no post (creio que seja a última atitude do post, não sua última, pq com certeza você criará muitas outras soluções criativas e alegres pra aproveitar esse tempo em busca de qualidade de vida com seu filho).

    Parabéns pela coragem, segue a luta, todo dia é dia. Abração meu querido!!!

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    1. Obrigado pelo comentário, Blumer. As sessões de coaching com vc me ajudaram muito a confiar mais em mim :-)

      Abs!

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  2. Olá, nunca comentei aqui mas sigo seu blog há uns meses já. Na verdade eu não tenho muita coisa em comum com vc, nem tenho filhos, mas acho que desde o princípio o que mais achei legal no seu blog foi vc compartilhar com sinceridade coisas do dia a dia, na tentativa de ser um pai legal e dar ideias boas pros outros. Tão simples mas tão difícil de executar.. parabéns!

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    1. Muito obrigado pelo apoio. A sinceridade é essencial pra aguentar os trancos da vida paterna hahahahaha

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  3. Bate aqui 0/. Sou mãe de duas (3 e 1 ano). Tenho síndrome do pânico e como estou amamentando tb tomo sertralina. É chato essa coisa da ansiedade. Só quem sofre sabe o que o outro passa. As vezes por conta deste problema tb fico muito estressada, nervosa e acabo descontando nas minhas filhas. ( falta de paciência). Tb faço terapia e qd a coisa aperta recorro ao rivotril. Levo um dia de cada vez, tentando ser uma mãe melhor. Força aí.!

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    1. Oi, Fabrina! Pânico é realmente complicado, já presenciei ao vivo e é muito triste pra quem vê, porque não tem muito como ajudar, e pelo que me contaram, é uma sensação de quase morte de pavor :/

      Fico feliz em saber que também está tomando remédio e indo na terapia, é um combo que ajuda bastante mesmo :)

      Força pra nós!

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